Como o pó, e como o ar. Craseando tudo, confundindo as entranhas...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

  Quanto tempo vamos ficar aqui? Sentados e esperando que o ônibus dos nossos desejos venhas nos pegar? de quanto tempo humano nos falamos?, temos todo este tempo para sentar e ficar esperando algo que queremos demais só que já desacreditamos faz tempo? Os nossos desejos íntimos que tanto fazemos questão de esconder porque o "mundo corre e faz você correr demais", porque desejamos tanto a ponto de não desistir da correria da sobrevivência, ou será que fomos nós mesmo que concebemos o mundo em que vivemos? Talvez nós nos esquecemos dos  nossos desejos porque era mais importante nos mostrar grandes á aqueles mesmos que nos lembrávamos ser. 
  Ninguém enfim pode culpar os outros ou apenas a si mesmo, porque nascemos sem saber que havia um aparada aonde o ônibus dos nossos desejos passava, e que tínhamos o direito de saber e de poder esperar um momento na nossa vida que não fosse para pensar nas contas ou na despesa, ou em como ganhar dinheiro. Já nascemos assim, nossos pais também, os pais deles, e os jovens da Grande Guerra já nasceram assim também, sem direitos de homem e com alguns falos direitos "civis". 
  Poderíamos culpar o primeiro homem? A evolução de um animal por ter tido a maldição de ter o desejo que é forte e massacre os demais, por poder? Não se pode culpar neurônios ou reverter o processo de que somos aquilo que somos, somos os animais e as maravilhas que somos, temos cabeças quadradas, redondas e abertas, mas são as nossas cabeças, ninguém de fato as controla, a não ser nós mesmos.
  O que nos impede de sentar e apreciar a chegada do ônibus dos nossos desejos são nos mesmos, porque somos covardes o bastante para não mexer nos que foi concebido.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

  Já não é mais a parte racional de mim que clama por você, já não são mais os dias que me passam num vazio de cousas, de realidade, não é a ausência de imaginação que só você me proporciona, não é mais a ausência da liberdade que sinto em seus braços que eu choro, é você. Sua ausência, me faz falta.
  Tão apaixonada e fico aqui, como se esperasse você voltar de um compromisso com aquele sorriso grande e lindo, aquele sorriso que você me dá, que é só meu. Ninguém entenderia que saudade é mais do que a ausência física de uma pessoa, é uma loucura que vai carcomendo a alma pelas beiradas evai nos deixando doentes, porque sua alma esta em parte comigo, e ela clama por sua metade que esta longe. Saudade é mais do que a distância, alguns metros ou milhares de quilômetros, mas é ter algo com você clamando a todo momento por parte de sua essência.
  Eu me sinto como se não houvesse mais chão para pisar, e que tudo se foi quando você entrou no ônibus, e como se eu pisasse em algo que mais e mais me puxa para baixo e eu estou sendo forte, eu juro, que estou sendo forte por você. Mas não tenho mais as asas que me fazem voar por minha constante alegria, eu não tenho mais a música que me enche os ouvidos e pula meu coração.
  Eu não tenho nada, até ouvir sua voz perto do meu rosto, e sentir seus lábios novamente me dando o doce de minha alma, de sua alma.
  A saudade é não ter nada até que você volte.

Doutor de mim, que quer matar e sentir contra a obrigação

 Preso a algum hábito que me faz um monótomo ser errante cheio de confidencias já confidenciadas e não guardadas para a beleza do olhar. Roupas e mais roupas, nada que agrade, chapéus e lençóis, travesseiros e uma cama arrumada que nunca sequer ousei desarrumar. Tradições e pensamentos antiquados cheios de um desejo pré-infante que eu jamais ousei deixar que me invadisse a narina.
 O cavaleiro que eu vejo no espelho mais desejado ser um monstro que eu queria ver. Um monstro que eu queria me permitir ser e sentir por alguns minutos para depois me encaixar novamente em meu lugar naquele escritório onde pessoas e pessoas vem me expor seus casos e me olham com jubilo acreditando que eu sou o máximo. Tantas histórias que eu não vivi, tantas aventuras que eu deixei de pensar quando eu me submetia ao acaso do não acaso dos livros históricos e das leis humanas.
 Agora, aqui nesta casa mediana, por muitos invejada, por mim que não me agrada. Agora sim, eu sozinho estou, fico aqui pensando e desbotoando a camisa, na intenção de que eu me sinta melhor ou que apenas me divirta. Sair, beber, ousar, profanar e matar. Todos passando por meu corpo ao mesmo tempo querem me dominar, mas eu sou forte ou pelo menos a educação de minha mãe é.
 Nunca se permitir brincar ou sorrir, "a cooperação pela vida gloriosa que terás", palavras que ecoam sinistramente em minha mente daquela boca dura que jamais sorriu pra mim ou disse me amar, daquela boca que jamais disse que me desejou por algum daqueles nove meses normais, meses de "transição".
 Agora, eu, sozinho, doutor advogado Fonseca, ou o que quer me chamem por aí, estou aqui, bebendo, fumando e esperando que alguma pessoa indecente bata a minha porta para que eu possa me deleitar nas suas ousadias, ousadias que estão aqui trancadas em mim, trancadas por remédios tarjados que minha médica me faz  tomar, que minha mãe me fez jurar sempre tomar. Eu não vivi, porque fui criado para ter uma vida gloriosa. 
 Não culpem a escória, pois saibam que elas talvez não puderam ter emoções e por ordem tiveram seus corpos queimados em gelo para assim sempre ser. Advogado eu que não julgo, só os faço sentir-se justiçados.   Doutor eu, doutor de mim, ah se preciso alguém para que eu possa cortar a jugular e ver jorrar o sangue, um último apelo para que minha alma não me abandone mais.








*primeiro teste de uma personagem fictício!*

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

 Um mundo extremamente rico e pessoas exageradamente pobres.
 Muitas cabeças não pensam por uma só, muitas cabeças pensam por um bolso só. Poucas cabeças pensam pouco, e uma cabeça revolucionária tende a perder tudo por culpa de ausência de incentivo. Muitas cabeças não tem respeito e viram apenas tijolos de uma construção infinita.
 Muitos corpos andam na mesma direção, e algumas vezes não entendo se sabem mesmo para quê estão andando. Muitas pessoas jogam por jogar, passar o tempo, de tão turbulento, o tédio virou inferno, porque ninguém se permite descansar um dia. Trabalhar sim, morrer trabalhando não. Uma cabeça diferente tende a se autodestruir por culpa de outras cabeças iguais, que pensam apenas no mesmo bolso.
 Não é algo revoltante, é cotidiano, mas viver o cotidiano pode ser algo estressante. Perdendo a capacidade de ser único, estamos esquecendo que a vida é mais, e a morte é pouco.
 Sabendo e dançando as pessoas vão fazendo da vida algo disforme e diferente, algo que ninguém quer ver e participar, mas que todos no fundo insistem em ir e dançar junto. A vida é uma questão de tópicos, tópicos a fazer, essa foi a vida que fizeram pra nós, mas não precisamos fazer isso, não precisamos seguir os tópicos, podemos ser mais do que coisas enumeradas, regradas.
 A vida é algo lindo, é algo extremamente lindo, por que então não enxergar? Pode ser um pouco cabuloso sair do normal para entrar no estranho, pode ser bom fazer algo que repugna, pode ser bom experimentar. Mas ninguém quer isso mais, as pessoas estão pensando no dinheiro, e nesse mundo custa ser diferente. Mas as pessoas ainda rotularam a vida como vida, a minha vida não vai ser rotulada porque habito o mesmo espaço.
 Eu sou diferente e vivo de amor.