Como o pó, e como o ar. Craseando tudo, confundindo as entranhas...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

  Eu te amo, sem demora e sem adições, eu te amo e não quero e não pago por isto. 
  Eu te amo, porque amo, e as pessoas não detonam isto, eu te amo porque eu desejo te amar, e porque o meu eu não é mais eu e sim teu, eu te amo porque sou humana e porque meu coração bate ainda sem necessidade de bajulação em formas sólidas para bater. Eu te amo, porque te sinto, e porque ainda existo porque não vendi, para aquelas mãos sujas que podemos encontrar assim que viramos o olhar. Eu te amo sem celebrações, só porque te amo, e porque não preciso de dinheiro pra te amar.


  E eu te amo, porque eu apenas necessito de amor para amar, e de amor para viver a andar e de amor andar e sorrir, eu quero existir.
  Ninguém chamando, ninguém festejando, a criança desgarrada em braços alheios se contenta com o doce feito de papel fétido. A moça pobre e bonita permanece pobre por que não sustenta brilho aditivo. As ruas movimentadas se fecham numa expressam de gula, de prazer como o próprio demônio faz com os novos visitantes de sua moradia. Pessoas sorrindo porque carregam nas mãos sujas aditivos, aditivos que lhes compram a felicidade que deve ser renovada a cada instante!
  Os carros balançam a estrada, e tombam e as pessoas riem da piada contada um segundo atrás, já é nominal,  já é normal, já é natural ser vendido as boas piadas e não se preocupar com as pessoas, os estrumes estirado no chão, onde repousam as almas de corpos vencidos.
  Basta apenas aditivo, aditivo te seduz, te paga o sexo do prazer, e não te dá mais do que tu possas desejar, aqueles aditivos do qual se torna dependente! A própria comida, miserável, o pão e o ovo devem ser comprados, e não me importa se não tens emprego e se foram milhares de lojas que te bateram a porta na cara! Vás varrer a rua, ganhar miséria e morar num monte de madeira amarrada com panos fétidos, vivendo uma vida de verme, sustentada por olhos maldosos, olhos repugnantes, repugnância a ti!
  Aditivos, que tu percebes sem demora, ser tão melhores que os próprios pulmões.


E assista a televisão, o aparelho e veja mais sorrisos, e coce seu aditivo, coma seu aditivo, viva seu aditivo.

Validade Vadia

  A vida inteira vivendo de ameaças, de nojo, de terror. Um menino, te matando aos poucos, o brinquedo do mimado que lhe garante um pouco de conforto que lhe é dado apenas por misericórdia lhe dando tempo de uso, e tu tens que obedecer, e quando queres mais, o mimado lhe tira, lhe bate e escarra na tua cara que é dele! A vida é sempre aquele uso e desuso, quando não quer mais, ninguém precisa querer, é sempre o mais ganancioso sobre o mais humano, e apenas concordamos, fracos e indefesos.
  No estômago, forma-se um embolo e a vontade de vomitar, porque antes que se come com prazer e se digere com tempo marcado e o relógio é ali deixado pra te lembrar que tens tempo, e quando ele termina, não se pode mais fazer a digestão merecida pelo corpo, ao corpo.
  Sempre com prazo de validade, não pode usar mais o que lhe foi emprestado, se queres um, terás de humilhar-se, ou algo fazer, não importa, para que ganhe dinheiro, ganhar e gastar, a unica coisa que pode fazer um homem satisfeito. A indústria cria e cria, mas aquela vontade que tens em usar o que esta guardado pela vitrine deve ser aniquilada, porque não tens o suficiente para pagar.
  Eu não quero mais usar as coisas que não são minhas, com prazo de validade, porque até mesmo o seu irmão que um te abraçou vai virar e tomar o que é dele, e tu não poderás tocar sem que seja seu. 
  Que porra de individualismo, caralho de prazo imposto por pessoas que dizem te amar.


  Puta grande mentira dizer que ama, com prazo de validade.





não tenho vergonha de dizer que irmãos fazem isso.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

  Eu não devo satisfações as razões alheias, que não as minhas e as minhas metades que me preenchem e me fazem as "minhas", não devo satisfação do que digo. Assim vamos aprendendo o que família significa, um termo forte e tão esparso no horizonte de um retrato mal tirado, um termo bonito e quebrado, um termo que só deve ser de merecido a poucos, pois muitos o fazem pela imagem, pelo gosto.
  A honra é a virtude que sustento agora, marcada em meu peito, alucinando com meu amor, a honra por mim e por quem eu devo dizer merecer o sangue, não ser ou não deixar que aquele vire mero servo de outros que sopram pra sua gula. 
  Mas a honra pros errados é desperdício, do qual o coração necessita se livrar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Laço de sangue, é uma droga quando fala demais

  O pior de viver é viver aprisionada por causa de sangue, é viver num lugar onde tu esta sujeito a boa vontade de uma pessoa, e deixar que ela corroa todo seu bem estar. Depois muitos perguntam porquê somos tão revoltados e saem as ruas dizendo que somos apenas uns palhaços que não sabem o que falam porque não tem aquisição social e figura imponente. E quando falamos, ou tentamos, ninguém ouve, mesmo que estrondemos e gritamos a modo de que nossas veias se engrossem e nos machuquem a garganta, eles podem ouvir depois disto, mas eles de fato não estão ouvindo. Não estão ouvindo nada do que falamos, ah não ser que nós nos sujeitamos as suas boas vontades.
  Pessoas das quais dependemos, entristece pelo fato de que não pedimos para nascer e conviver com elas, estamos sujeitos a elas sem ao menos pedir por isto. É uma droga a vida que estas pessoas nos fazem viver, é uma droga se sujeitar a vida de outras pessoas.

  Sabe, depois de um tempo, não se dá para engolir a droga do laço de sangue.







terça-feira, 15 de novembro de 2011

 Estou soltando o verbo em cima de você, e espero que não haja nenhuma resposta para o apocalipse e as mentiras de fim que você trará em livros para mim. Não estou te pedindo consolo, ou conselho, e eu não quero mais palavras que comecem com a e i o u, não quero vogais e consoantes casadas ao seu bem ver. 
 Quero acordar, e não quero lembrar que hoje tem aula, porque o que me ensinam lá não me faz uma pessoa melhor, a exatidão cria homens frios e mulheres mortas, não sou filha do pé frio, eu não estou fria hoje, pode me tocar!
 Não é tão tarde para tentar me convencer de que estou louca, mas particularmente, acho que já passou do tempo. Estou dançando na Lua e ninguém quer ver como eu posso xingar. Não vou corrigir minha postura, porque de verme eu posso bem fingir ter, e eu não vou me educar para criar mais pedaços de gelo exato e concentrados em mol de porcaria dentro de mim.
 Mas já é tarde para tentar me convencer de que estou ficando louca.

Quero Quebrar a Janela da Vizinhaça

 O café quente e aquela fumaça que fica por segundos no óculos, que te cega por pequenos momentos de uma intensidade de outros monótomos e enormes momentos. Eu não vou estar aqui para ficar com vocês por monótomos momentos, porque a vida esta me passando na janela, e ela bate na janela da nossa casa incessantemente, mas por quê?, por que nós simplesmente fechamos a janela e tapamos os ouvidos para a chance de fazer tudo dar errado?
 Nós somos próprios residentes de nosso cárcere e ninguém quer sair daqui por medo, mas talvez a morte e a sujeira não sejam tão abomináveis assim, insistimos em fingir que estamos bem dentro de casa, limpos, cheiroso e confortáveis, mas conforte garante emoção? Vamos estourar fora das janelas, e estourar as janelas das vizinhanças, vamos fazer comerciais de perfumes babacas e saltar de cabeça pro nada esperando que o coração pule pela boca e vá embora e dê mortais para voltar.
 Por quê fingir que não podemos mudar o destino da comida que vai a nossa boca ou do presidente que deixa pessoas morrerem? Insistir em teorias de conspiração e passar a vida inteira negando subestimação ao sistema te faz melhor? As pessoas estão com medo de se emocionar, e a humanidade não passa mais de um planeta morto, onde todos não querem dançar na noite.
 Vamos, quebrar as janelas de casa e da vizinha que reclama dos gritos a noite, dançar e cantar bem alto na noite, enquanto nossos corações pulam da boca, e dá mortais.


 Faça o que quiser, e não é necessário matar para isso, o barulho nunca feriu ninguém, ah não ser causar impacto, mas impacto não é uma palavra barulhenta?

domingo, 9 de outubro de 2011



 Eu não quero mais emoções e encher a cara, ou fugir do casamento e do compromisso com a vida. Nem quero mais cabelos na minha cara e nem ser um bicho (talvez eu ainda queira sim) estranho, eu nem quero mais dançar até que meus pés sangrem e eu os perca.
 Não quero mais sumir por aí na garupa de um cara gatão clichê de filme adolescente, eu não quero ir mais para Hogwarts e conhecer o Harry e o Ron. Eu não quero deixar de ser criança embora eu ainda não tenha me formado em engenharia genética para descobrir algo que não me faça deixar de ser criança, já que de um modo ou de outro a natureza vai nos obrigando a fazer isto.
 Não quero mais cantar numa banda de rock'n'roll e fazer sexo, beber e fumar muito. Não quero mais ser loira ou ter o cabelo azul, não quero mais ser um avatar (tá, um pouquinho sim).
 A gente, eu e você ele ali, vai percebendo que não quer mais nada quando temos já um futuro todo que se chama Adolfo, Maria, ou Merlin?, (vou lá saber o nome da sua pessoa), quando temos o futuro todo em uma pessoa igual a nós. Agente não quer mais nada quando tem tudo.

 Eu não quero mais nada, porque meu futuro se chama **** (não compartilhar as peculiaridades hoje em dia é saudável), e eu sei que os clichês eu realizo, e que a liberdade e estranhezas sempre foram feitas para ser vividas com alguém.

Essa cabeça de cachos desarrumados filosofando

 As coisas constantemente trocam de lugar, como a cadeira da cozinha e as poltronas duma sala qualquer que eu possa imaginar. as pessoas trocam de lugar mas acabam pertencendo a apenas um e deixam apenas em um lugar todos os seus argumentos sinceros e sua boca lavada. Todo mundo esta sozinho quando estamos todos interligados que é tão dolorido ao estômago pensar o quanto isto é horrível. 
 Eu dependo de você e você depende de mim, eu uso roupas e não foram maquinas que a pensarem e a desenharam, eu como e não foram máquinas que trouxeram este alimento pra mim, pois elas não o descobriram. Eu dependo do tio Walt que inventou a máquina a vapor, mesmo que hoje ele seja penas um nome a ser estudado e que por alguns possa até ser merecedor de respeito, embora seja só um nome, mas mesmo assim, dependo dele, pois foi a partir dele que hoje eu me locomove dentro do busão. É a partir de milhares  bilhares e infinitas pessoas que hoje vivo, como, respiro, defeco, amo. Ninguém vive sozinho, e em nenhum momento podemos nos alienar, mas por que isso me parece horrível?
 Dependendo de cada um, todos mudamos as coisas das nossas casas de lugar para acompanhar o "diferencial vendido pela mídia", já estamos vivendo na mídia, então a menos que haja outro big bang (quem sabe?) não vamos voltar ao primitivo homem e reconstruir todo nosso modo de vida de modo alienado ou que não seja vendido pela mídia. Dependemos da mídia, porque ela não é uma máquina, são pessoas também (embora isso seja realmente desgostoso de pensar). O clichê não existe, porque se hoje a esta hora que são 19:23 de um dia lindo de 9 de outubro de 2011, você tiver uma ideia e usá-la as 19:24 do mesmo lindo 9 de outubro de 2011, já vai ser um clichê.
 É deprimente ver que as pessoas constantemente trocam de lugar e na verdade não mostram nada de si mesmos, seria menos torturável se aceitássemos que somos dependente de um animal, de um ar, do oxigênio invisível que nem sempre vai poder ser fabricado. Seria menos nojento, seria sim, se aceitássemos ser o que somos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Quatro Patas

  Sem sobrepor-se a nada e com o nada compartilhar o descanso de uma paz figurada. O que sucede, não é uma pergunta ou uma resposta, eu perdi todos eles, mas não me sinto aliviada ao saber que perdi meus assassinos, os inimigos, não consigo me sentir aliviada quando não tenho mais aqueles que me deram as costas e que hoje m,e olham com dó. Sinto suas ausências banhadas de uma profunda imagem de que cada um quer fazer. Não estou bem perdida, porque ao meu lado sempre esta meu amor e o ar límpido que eu constantemente sonhei respirar.
  hoje, o dia está branco e eu odeio o meu "b" em letra de mão. Talvez os raios de ar não valham para mim, um novo dia neste mundo onde os puros são queimados enquanto agonizam no inferno alheio. Esta terra suja é tão fétida que não sei como ainda conseguimos disfarçar o nojo. Nesta paz, só há figuras, pois o espírito foi carcomido e defecado, enchendo nossos corpos e almas de vermes estúpidos. Não é esta minha vontade, eu amo e hoje, ontem e noutros dias claros que virão eu serei feliz, mas não posso ter paz enquanto os puros não a tem, não posso ser eu mesma enquanto os verdadeiros humanos estão agonizando. Meu maior sonho é a varredura de Hitler sem preconceitos, brancos, negros, amarelos, gordos, azuis, bonitos; todos mortos pelos motivos racionais que os levaram ali.
  Ora!, não sou nazista, porém de que me vale termos companhia se é esta que vira a mão para enforcar nossa única chance de uma possível "redenção", a parcela de 0.99% no meio de muita outra sujeira. Então, por que devo ter solidariedade com quem não a tem?
  À varredura de Hitler por uma nova existência! Viva!, a melhor do ar de um planeta.





(não me venha com blás e blás, a verdade é que ninguém tem direito de falar quando nos fazemos o que fazemos sendo racionais)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

 Haverá de os céus perdoarem vocês? Os teus feitos já são tão cruéis que cada um acumula mais e mais, acumula de um todo que a cada custa muito mais. Não vêem que são suas as mãos que sujaram as mãos da criança que hoje habitam a terra da dor? SÃO ELAS, AS TUAS MÃOS QUE FIZERAM DA CRIANÇA O PARASITA DA TUA DOR.

Neste momento, o Adeus que eu deveria dar-lhes tarde

 Sabe-se, a realidade é que sou infeliz com vocês, eu não estou falando isto ou escrevendo com a intenção de puni-los e culpá-los, eu jamais quero fazer isto. Admiro vocês, meros objetos da sociedade que enfrentam esse cotidiano massivo e doloroso, me orgulho pelas suas dores, pelos seus vícios e defeitos. De cada traço em meu rosto feio, eu carrego algo de cada um, no corpo e na alma, eu jamais quero esquecê-los, entendem-me?
  Mas eu não nasci para ser feliz aqui, os grandes pensadores também sofreram em algum momento de sua vida, embora seja uma criança ainda aos olhos de tua sociedade, eu sofri como aquele jogado na calçado e julgado como monstro, sujo, ridículo, eu sou assim, mas a coragem me ausentou e a esperança de que algo melhore, mas nada melhorou, e não são ainda vinte anos, ou trinta, mas nesses poucos anos eu deixei que me derrota-se e eu não ligo de carregar a derrota maior como fardo pesado e triste que ele é.
  Minha vida não deve ser louvada, ou cheia de brilhantes reluzindo no dia, nasci para viver ao convés dos mares de chuva e da noite, nasci para amar apenas um e decidir cedo com ele a minha vida eterna, nasci para trazer o conceito de liberdade que não se individualiza mas se vive junto. Nasci para ser pensadora da sociedade que mergulha em banhos de sangue e dor.
  Mas eu renego o direito de ter de nascer para vencer meus medos, e as piores jaulas de minha vida, não devem me aceitar assim, não devem me amar assim. Mas é assim, neste assim que desde já eu vou lhes dizendo adeus, porque eu não posso viver aqui, eu nunca pude não?
  Desde assim, vou lhes dizendo adeus, meu querido ogro, meu querido irônico e minha querida fada.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Custa a ti, custeia a mim custear a ti

  Distinto, medíocre, quantos apelidos mais devo ter? Viver me custa, e não gosto de saber que tem alguém por este chão custeando minha vida e meu sopro doentio.Já era hora de bordar o símbolo de ódio na roupa e pertencer ao grupo, por um pedaço de pão e carne.
  Neste mundo, sabe tu que é difícil de permanecer, as horas passam mais rápido e qualquer coisa pode lhe tirar do caminho e te atirar com força para perto dos jogos canibais. O que é lindo de se ver recompensa, mas até ver entendo que será o último gole celestial de uma boa breja gelada.
  Meu dedo canibal e ossudo, difícil de fantasiar quando todos olham para ti e te julgam louco sussurrando aos ouvidos de teus pais, e não só eles como a tua nação vai bordar em bandeiras conselhos para ti e te tratar a base de tubos contendo dor.
  Viver neste mundo, pode custar muito a quem me custeia, mas me custa muito mais ter de continuar a não aceitar o prato pronto que me servem a escola.
  Por um momento eu pensei em deixar-me ali à beira do nada enquanto, eles iam todos em caminhos idênticos e depois se perdiam com um medo estranho de voltar e repensar. Sequer um dia eles pensaram no bê a bá da Bahia ou algo mas útil de seus cérebros. Fico aqui então com medo de ir em frente, me perder e fazer igual eles e não querer voltar para repensar no caminho que meus pés vão tocar.
  Neste chão de areia, os dedos já brancos pelo uso de tênis demais, sufocado demais por sempre estar no escuro, sorriem meus dedões para mim, perfurando a areia macia e branca, sentindo aquilo que os monges devem definir como "paz", e cantando enquanto as ondas quebram perto de meus olhos, enquanto os cachos sem cor batem na face para voltar novamente a voar para trás, criando um aspecto intrigante naquele meio de vazio.
  Homem, e eu andando, com medo daquele que pode me arrancar as roupas por conforto a si mesmo. E saber que eu apenas estou fugindo do terror das lágrimas que me vem visitar enquanto outras vozes me dizem o caminho que eu não quero seguir.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Eu e o Meus Sessenta e Cinco Dedos Vetoriais

  Girando em torno de seu próprio nariz e vendo que o mal cheiro agora já entope todas as narinas e as vias livres agora estão cheias e contaminadas daquele malcheiroso feito. Não somos trouxas mas não estamos aqui para brigar, eu não tive medo, e giramos em torno de notórias cousas que para nós não passa de magia pura. Traímos e fomos traídos, mas ninguém se importa como comporta a dor do outro. 
  Não estive por muito tempo perto de ninguém, e na verdade eu não me importei como tu se sentias, ou se ele precisava de mais uma mão para levantar e por dentro eu ri do teu tombo vergonhoso. Eu não sou boba, mas não estamos aqui para brigar? Se quiser ser aquilo que acha que o seu homem quer, seja, mas me tire desta piada, porque meu humor é tão negro que se deixa deliciar apenas por certas particularidades, que é melhor tu não insistir que eu não respondo por meus cavalos.
  Deixando de lado na escrivaninha envelhecida de madeira que já se encontra meio amarela, tu não consegue entender que eu não vou me prender a este passos que eu vejo os dias levarem? Eu estou todos os dias a falar e se estes pensamentos nossos, que de tanto somos e são, falassem, não me suportariam e eu já estaria trancada com as paredes e elas a me odiarem. Mas não se queixe, se quiser ouvir. Os palavrões são costumeiros, e as reclamações também, os atos rabugentos e as verdades que acredito e ninguém sente.
  Hoje, encostada naquele banco duro do ônibus e dormindo enquanto bato a cabeça, fico aí julgando e jogando meus dedos vetoriais sobre as cabeças estranhas das quais eu boto histórias. Talvez alguém também já tenha me botado alguma história e me julgado? Devo ter certeza, as pessoas não amam os humanos que se consideram mais do que eles. É a auto estima que eles alimentam a cada instante que se deixam, assim, por dizer tão fartos de si mesmo que descontam nos outros.
  E ao meu acorde, novamente inventado onde meus dedos 1, 2 e 3 estão de um modo que o professor não aprovaria, vamos começar tudo de novo, eu e o meus sessenta e cinco dedos vetoriais e teus cérebros pequeno e cheios de amplitude universal e estrelar.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

  Residente no morro onde as chuvas vem atormentar-me, eu estive sempre molhada e gélida afundando no topo de um paraíso a qual eu temia descer, e nenhum de seus atrativos me era suficiente, afinal eu conseguia ver o horror por trás daquele todo arco-íris, eu pude ver quão doloroso era o sorriso que sustentava a mulher para seu marido. 
  Via, os dias passarem naquele paraíso, e o amor também, deixando até mesmo de ser amor. E nesses momentos eu me refugiava cada vez mais no topo do morro e clamava por chuvas que me molhasse e me fizessem esquecer que um dia eu vi aqueles olhares tão plastificados. Mas o coração molhado sempre me levava a observar, e tremendo de  medo ficava ali a entender porque aquilo era assim, e porque só eu pensava deste modo? E todos os dias eu me refugiei na chuva, sozinha, embora muitas pessoas se esforçavam e iam me gostar, mas nenhuma conseguia fazer com que meu coração parasse de temer aquele paraíso de mentiras.
  Eu então decide me refugiar de todo aquele horror, e eu atravessei mares e mares de vinhos para encontrar algo que me pudesse fazer, ... fazer... feliz. E por dias naveguei, com medo e dor do que via naquele lugar onde era meu mundo, e chorando bebi de todo aquele imenso mar esperando que ele estivesse envenenado.
   Tanta dor que eu não conseguiria explicar, apenas vendo o temor em meus olhos e as lágrimas. Mas atravessando mares de vinhos, eu encontrei ele. Voltando para o verdadeiro paraíso, eu tornei-me mais do que humana e feliz, tornei-me ar de doce perfume que rodeia você.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

  Da maldita tosse ao nariz entupido, se desfaz em confusão o infinito. O momento que continua neste presente desta língua, e no contínuo passado a que ninguém quer pertencer, ao tempo de que eu sigo os passos daquele que seguirá os futuros.
  E a tosse e o nariz fatigam-me, e eu deixo este momento com a dor de que não voltarei a vê-lo.

sábado, 20 de agosto de 2011

Meu Aniversário

  Meu aniversário, parabéns querida, que seja feliz, tenha uma boa saúde, juízo, amor e que tenha coragem e enfrente tudo com um grande sorriso. Meu aniversário, eu não sei bem se quero estas cousas para mim, não sei bem porque as pessoas me parabenizam apenas nesta data, sou importante apenas em um dia dentro de uns 365 e poucos? Que ingratidão a minha, talvez? Não importo com as circunstâncias, mas afinal, apenas mais um ano, e eu não gosto de ficar contando por números.
  Aliás, aniversário é tipo uma bosta, afinal, algo ou alguém vem te lembrar de um ou dois anos atrás, o ruim, é que tu não acaba se lembrando apenas daqueles dois anos, mas sim de todos eles, e lembra das cousas que realmente o passado não deveria libertar ao ser consultado. Tantas coisas para tantos poucos anos, parabéns por quê? Apenas são datas. Aniversário, feriados, dias de comemorações, são apenas datas e muitos se limitam a estar bem e sorridentes, como animais bonitos e vistosos, para esta data, apenas esta e o resto do ano passam a não se importar com amigo, filho, família e o escambau a quatro.
  Então, ora, vamos parabenizar aquela maravilhosa mulher apenas este dia, porque ela faz 23 anos, ou 83? Terrivelmente, parabéns é só uma palavra que enche e conforta o ego, é tão mais humano abraçar constantemente e assim que se possa alguém que nós admiramos e não ficar lhe dando parabéns. Sou uma velha rabugenta no auge de minha juventude.
  Não sei, mas aniversários me cansam, me consomem, talvez por ter que fingir que comemorar mais um ano seja algo tão chato, é apenas mais um, virão tantos (espero), então ficar comemorando? Ouvir palavras que tu sabe que não quer, ou que não espera para si mesmo, aquele discurso batido e remoído oferecido. Talvez eu seja realmente uma chata, seja não, eu sou uma chata de quinta estrelinha de avião. Ño me gusta los cumpleaños. Bons sorrisos, forçados, consomem uma parte de mim que pode ser considerada muito influente.
  Mas o que importa? Sou rabugenta, reclamo-na, ingrata, zoada, cansada e podrona! Mas mesmo com toda esta nuvem negra que paira na minha cabeça e que as pessoas percebem, eles vem me parabenizar por estar viva e me desejam mais anos, então, de fato, rabugentos são amados. 
  Para falar a verdade, eu já nem estou mais pensando nisto, músicas críticas me ajudam?
  É, parabéns Bárbarazinha, sua velhota rabugenta ou mais realista, sua adolescente preguiçosa chata.

sábado, 13 de agosto de 2011

Os Bons Mentirosos, Mentem.

  Os bons mentirosos não se deixam enganar, porque eles vivem de enganar a si mesmos, com boas e ardilosas mentiras, desejando que o crepúsculo seja favorável aos seus encantos. Grandes e ótimos mentirosos que nos fazem sangrar e nos deixam assim meio sem nexo, meio depravados diante do nosso próprio sofrimento. Cheio de escrupulosos mentirosos, cheios de fantasias exacerbadas que fazem questão de nos encantar e mostrar o quanto somos as péssimas pessoas da horda.
  Ótimos mentirosos que dormem conosco e nos tem e nos traz a vida, desejando desde já que sejamos tão imbecis a ponto de facilitar para eles o ato teatral, a mentira embelezada e cheia de glória. Mentindo, eles vão nos enganando e esmagando nossos corações com sorrisos a face por prazer! E saber que eles fazem isto com filhos, amadas, amantes, mães, amigos, mestres, confidentes! Todos mentindo descaradamente e esperando a melhor oportunidade para comer nossos neurônios e jogá-los depois ao filho do inferno, os seus próprios filhos, crias mentirosas.
  Agora desesperada eu estou aqui, pedindo por um pouco de dó, um pouco de mentira para não acreditar no que ouço e vejo, para não me deixar esquecer o quanto devo resistir para não cair naqueles braços a que tanto confiei e hoje eu só tenho repulsa por serem tão macios e enganosos, venenosos!
  Dia que deveria ser de alegria, torna-se na merda do povo, a sujeira, os restos excretados, por dias bondosos que afagam nossa pele com calor morno para depois mergulhá-la numa fria dor. E enfim rasgar nossa carne e deixar que de la floresça a amargura de existir em meio a hordas invejáveis.
  Grandes mentirosos, de que somos feitos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

  Estou cansada de ficar mentindo a custa de um nada que me combate, de ficar calada por receio, de ouvir as mesmas estórias de sempre, cansada de mentir, cansada de fingir, cansada de sorrir. Sempre continuando andando nas vagas sombras dos meus pensamentos que me largam a todo momento para depois voltar e me machucar novamente. Vezes e vezes já estive sangrando com este punhal aqui, intacto e sangrento perfurando minha carne e atingindo meu astro e fazendo-o sangrar. 
  Cansada de um vazio que eu quero amar.

domingo, 31 de julho de 2011

  A latitude de um povo não se faz por sua obediência a um homem e não pelos atos ostentosos que se dirigem aos habitantes sofridos, apenas os atos, porque de nada mais haverá de dar-los a não serem atos ostentosos.
  Desastrosos momentos que fizeram a humanidade seguir o destino que a vida lhe deu: criação de monstros, e ninguém haverá de tirá-los de nos, porque nos os amamenta-mo-los e amamo-los como se fossem nosso órgão vitalício. 
  Criamos a insônia e os pesadelos na noite que já tinha sido criada. Criamos absurdos para que não os sentisse-mo-los mais, e jurássemos que fossemos bons com eles.


 talvez seja um devaneio mesmo, incompreensível. que me morde a borda de um buraco enorme no meu corpo. a dor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os Dias Estão Passando

 Neste momento me calo, há quem de ver que irão passar.
 Abra-se a rua, despache os relógios, feche as cortinas, não sejam egoístas e medrosos. Eles estão passando e com eles a vida também se vai, do modo que ela estiver, não faça as malas, não há tempo! Perdoe e diga logo o que pensas! Não há tempo para deixar e louvar as lágrimas derramadas em cima de seu tristonho cotidiano! O tempo não esta mais necessitando de nós e eles estão passando.
 Magoe, e não sofra por isto. Eles estão passando.
 Atrapalhando e causando, eles avisam que irão passar por ti, confusão em todos os lugares, não há lugar que se sustente diante deles. Eles não possuem alma, e por isso não são desalmados. Eles estão mostrando para ti o quanto não há para esperar.
 Escolha agora, pois outros momentos não irão se repetir. Situações são poucas, e se repetem na cabeça de falsos corajosos. Escolha a regra, ou escolha a ausência de regras. Escolha o determinado prazer, ou escolha a ausência de determinações. Escolha um caminho, ou escolha a motivação animal e a aventura de milhares de caminhos diferentes.


 Eles estão passando, e eu não quero falar, pois calo-me observando tudo passar, passam homens, passam animais, passam flores, passam estações, perduram amores, passam amores, passam transas, passam beijos, passam guerras, passam oportunidades de paz, passam tréguas, passam modas, passam cotidianos, passam carros, passam tempos, passam histórias, passam risos, passam choros, passam veias estouradas que jorram sangue, passam passos, passam o passar.


 Abre-se espaço! Eles não irão esperar que  faça as malas, eles jamais esperam.

domingo, 24 de abril de 2011

União de Medo

 Uma segunda morte, ao que não se foi. O passado que vive a me acometer sussurra em meus ouvidos aquilo de que não necessito compreender, e acabamos todos juntos encurralados em um canto escuro, onde ninguém externa e internamente possa ver nossas faces, nossas roupas, e nossos corpos. Acabamos permanecendo colados aos corpos um dos outros, sem saber a que cada mão que nos afaga pertence, mas é que o carinho, senhor, é melhor vindo de alguém que não conhecemos e assim não precisamos agradecer.
 Porque de que se valerá a quantia quando nossos medos não forem mais embora e nos perseguirem na chuva ácida que nós mesmos fizemos? De que valerá nossos sonhos se não haverá mais crenças erguidas que não tenham por base mentiras e ilusões? De que te valerá meu amor, se não houver mais sorrisos de momentos felizes já que a morte é o principio de todos eles?
 Estaremos novamente sozinho, e mesmo que nosso corpo esteja colado a outros milhares, nos sentiremos sozinhos e abandonados por nossa própria força, onde a esperança não passará nada além de uma morfina muito ineficaz de segunda a outras vezes. Todo de todo, que se debochariam amanhã não haverá mais graça, pois toda a graça de nosso sangue terá se esvaído pouco a pouco, tortuosamente com todas as outras que irão voar por céu e terra e irão apenas nos dar adeus.
 E em escuro, escondidos da chuva e dos nossos próprios medos, sairemos de nossas casas porque lá se impregna toda a vida e o tempo que passamos escondidos dentro de nossas próprias mentiras, e não haverá segurança em nenhum edifício ou lugar que nos construímos e forjamos, pois os nossos medos serão tão fortes quanto nossos pecados. E não importará mais nomes de ditadores e "monstros" da História, porque em nosso reflexo veremos eles e alguém pior. E assim ditaremos a História,a  verdade que sempre fizemos questão de encobrir, ditaremos nossos medos, pois assim será mais indolor, do que nos calarmos e guardarmos nossa dor a si.
 Enfim, estaremos todos juntos, compartilhando da mais perfeita união. Medo que une e cola corpos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mundo, Despeça-te

  Despedir de um povo, ou de uma nação. As lições e sermões talvez agora te sirvam de algo, um trabalho, um esforço e tudo estará bem resolvido, certo? Despeça-se de tudo o que pode importar, talvez não haja nada que deva falar ou sentir, ou fazer sentir. Não é bobeira, mas decerto, o mundo não pede mais por mentiras confortáveis, pede por uma razão, algo concreto para que finalmente haja algo forte a acreditar e não esperanças inúteis.
 Não sei então porque mal haveria em despedir-se de um povo, Mundo, não há mal nisto, como majestoso deveras ser, deveras também reinar assim como reina e foi criado para isso. Não espere mentiras, o Mundo não se acaba nem que ele mesmo queira, não há como, não pode. Então, despeça-te de que amas, e o leve consigo para todo o sempre que acredita ter.
 Agora, Mundo, se despeça deste povo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Confuso Demais

 Haja o que houver, não amedronta-te o horror, porque esta apaixonada, sucumbida a um sentimento constante, rápido e confuso. Perturbada, se pergunta de que faz ou fará, o que importa ou deveria importar? Confuso demais, trabalhoso demais manter-se ligada a um sentimento,assustador sentir que em atrito de lábios o mundo que ela constrói para e o tempo morre, ou simplesmente não existe.
 Confusão demais para um texto que possa ser lido. 
 Apaixonada, são os versos que ela consegue cantar, é sobre amor, é real.

sábado, 26 de março de 2011

 Não me emendo, eu não me disperso. Se houve qualquer momento de dispersão fora mero acaso. Não há nenhum pseudônimo, apenas o meu nome indigno de mim mesma, tantos significados já o dei. E sempre a mesma constância de não haver mais nada do que a mim mesma.
 Largada de estereótipos, sucumbi a derrota de meu próprio sonho, afinal, de que me vale assim deter um sonho e ser infeliz? Agora, largada deles, abro a porta suja de sangue velho e novo, carcomida ainda pelo constante estranheza de ver a vida e de sentir que ainda não posso viver de fato, abro-a pra ti, apenas um cidadão do mundo que talvez ambicione as mesmas cousas que os outros, ou simplesmente há por trás de tudo algo que ninguém sabe. Me sinto especial, por ser ti, e por ouvir algo que minha'lma esperava há um bom tempo.
 Bem, segundo aqueles que me criam, apenas sou humana. Talvez meus textos nem sejam lidos, talvez o talvez do meu tempo não exista e seja eu apenas uma alma outra qualquer que não se importa de invadir mundos ensurdecendo com seu barulho descompassado, música destruída, versos infames, pensamentos interiores dum grande horror por aquilo que ninguém sabe dizer o que é.
 Bem, ainda pergunto-me qual é a finalidade disto. Disto em geral, disto é aquilo que podes pensar, tudo que pode existir ou até mesmo não.
 Não há finalidades, talvez a trava que se abriu e deixou que a felicidade se dissipasse, causando um estrondo.

quinta-feira, 17 de março de 2011

17 de março de 2011

 É, não canso de falar dos meus dias.
 Hoje, senti dor, tive muito medo, tive receio, quis chorar, quis abraçar alguém, me senti um arco-íris a brilhar com um único sorriso, quis que o mundo parasse, quis que as coisas se apressassem, quis ter certeza de que eu irei fazer bem e sentirei bem com o que sinto, fiquei feliz, tive raiva por respirar, quis dormir, me empanturrei de bolo (foda-se a gastrite), abracei as pessoas que amo, falei o que não devia, enchi o saco, e dormi para esquecer que eu ainda estou aqui te vendo.
 Foi apenas mais um tempo, marcado por minha face que se curva em sorriso, mas hoje não foi mais um dia, hoje foi  o dia, hoje eu comemorei a data de anos de minha alma, da parte que não esta no meu corpo e sim no teu. Hoje eu vi a beleza mais do que nunca a mim sorrir, hoje foi o dia em que me senti bem por ter feito as escolhas que me levaram a ti.
 Hoje, é glória! 




Oh, and you're so beautiful
My darling
Oh, you're so beautiful
You're so beautiful
Oh, my baby
You're so beautiful ♫    H.I.M - Beautiful.

 

quarta-feira, 16 de março de 2011

 Começar apenas por começar parece-me fatigado. Talvez eu não queira começar por começar, creia que fazer por fazer é apenas uma obrigação. Tenho uma única vida, e embora minhas crenças, eu jamais teria a mesma consciência ou essência desta existência. Então, por quê raios o homem quer acabar com ela?
 Mudemos um mundo, não, não mudemos, o mundo não muda. Pessoas tem chances, não há dó para ninguém, aqui planta-se e colhe-se, ainda não foi possível destruir tudo. Oras!, simplesmente creio que de uma vez por todas, deveriam ter vergonha de ser apenas homens. Progresso não é economia, ciência, descobrir a vida, de que adianta tudo isso se, muitos morrem de fome, aprender um dia vai ser esquecido na cova, e descobrir a vida enquanto destruímos-a?
 Não ligo para conceitos e tipos, apenas creio que tenho o dever de encher o saco e me indignar até o fim sobre este ridículo e mísero mundo. É doentio, e nojento.


   Oras!, decida-te. Não há paraíso.  

quarta-feira, 9 de março de 2011

Rainha de Mim

  De todos os seres, aquela Rainha presumia ser a mais poderosa, a mais digna da beleza e da confiança de todos os seres que poderiam interferir no mundo. De fato, a Rainha era muito talentosa e possuía sim uma beleza misteriosa, traços impertinentes, porém nada que se diga poderá definir a beleza que possuía, era uma Rainha que não deveria se casar conforme aquilo que ela ditava, casada com si mesma e com a ambição de reinar todos os seres ao alcance de sua mente.
 De todo aquele poder, ninguém podia tocá-la, ela conserva intacta, pois tudo o que provara de beijos forma o bastante para fazê-la desistir de tudo o que se chamava amor. Sozinha e escondida no seu próprio escuro, sobre os degraus e bancos e muros que ela mesma construíra, na sua raiva por ter nascido e na sua dor incontrolável que a dominava todos os momentos do tempo. Rainha de si, rainha para os outros que ela não pretendia conhecer, apenas uma vontade inconfortável que batia no coração o tic tac frenético de ter em suas mãos o direito de mudar o mundo, conforme as leis a que aprendera com todo o coração e a magia enorme que possuía dentro de si. Apenas vontade e nada mais que a preocupasse, porque ela realmente sabia que não obtinha tal poder e jamais obteria. Então, a única opção para retirar toda a feiura que continha (pois ela jamais acreditaria que seria bela, jamais), foi esconder-se no seu próprio castelo de magia e dor, algo que ninguém fora capaz de explicar e jamais seria, e se o fizesse certamente faria com que a Rainha morresse e depois voltasse a forma humana que sempre quis ter.
 Escondida, em meio ao brilho do escuro que saia de seus olhos e bocas, gestos, quando do nada precipitava-se magia pura, com direito a toda infinidade do infinito, ela mantinha assim a respiração leve e também pesada.
 Rainha da contradição, oh minha rainha!
 Apenas algum dia haveria de chegar e apenas um coração tão diferente e normal como o seu poderia salvá-la, mas era decerto o dia que se passa.